O relatório day out of days, em geral abreviado como DOOD, é uma grade que mostra, para cada integrante do elenco ou outro elemento acompanhado, em quais diárias de filmagem ele trabalha, em quais fica em espera e quando começa e termina. Em português costuma ser chamado de mapa de diárias do elenco. As linhas são os atores, as colunas são as diárias de filmagem e cada célula traz um código de status. Produtores e assistentes de direção o usam para precificar contratos de atores, evitar pagar por dias ociosos e ver de relance quem é necessário quando.
O que um DOOD mostra
O relatório responde a três perguntas práticas. Em que dia cada ator chega pela primeira vez? Em quais dias é necessário? Quando é liberado? Todo o resto, dos contratos à contagem de refeições, decorre dessas respostas.
Ele é montado a partir do cronograma de filmagem, não diretamente do roteiro. O cronograma (o stripboard) já distribui cada cena por um dia, e o elenco de cada cena diz quem participa dela. Junte os dois e a grade aparece. Por isso o DOOD é um documento derivado: se o cronograma muda, o relatório precisa mudar junto.
O DOOD também pode acompanhar outros elementos além do elenco, como objetos de cena importantes, veículos, animais ou equipamentos especiais. O elenco é o uso mais comum, e o que se segue se concentra nele.
Os códigos de status
Os códigos abaixo são os mais usados, mas variam conforme a produção, o software e o país, então leia sempre a legenda impressa no relatório que você recebe.
| Código | Significado | Uso típico |
|---|---|---|
| SW | Start work (início do trabalho) | Primeiro dia de trabalho daquela pessoa |
| W | Work (trabalho) | Um dia de trabalho no meio do contrato |
| WF | Work finish (fim do trabalho) | Último dia de trabalho |
| SWF | Start, work, finish | Um contrato de um único dia |
| H | Hold (espera) | Folga remunerada entre dias de trabalho; o ator precisa continuar disponível |
| (vazio) | Não necessário | O ator está livre e não recebe pelo dia |
Algumas produções acrescentam códigos para viagem (T), ensaio (R), provas de figurino, testes de câmera ou dias de dispensa (drop). Outras usam apenas S, W, H e F. Trate a legenda como parte do documento.
Por que produtores e ADs se importam
Precificação dos contratos. Muitos contratos de atores são fechados por dia ou por semana, e o intervalo entre início e fim importa. Um contrato semanal para um ator que trabalha dois dias espalhados por nove sai caro. O DOOD mostra de uma vez o intervalo e as lacunas.
Esperas. Entre os dias de trabalho, o ator muitas vezes fica em espera, ou seja, indisponível para outras produções e, em muitos contratos, ainda remunerado. As esperas são uma linha de custo, e o DOOD as deixa visíveis para que possam ser reduzidas.
Sobreposição. Se dois atores principais têm poucos dias em comum, a ordem de filmagem pode ser arranjada em torno deles. O DOOD deixa esses pontos de pressão evidentes antes que fiquem caros.
Logística. Provas de figurino, viagens, hospedagem, horários de chamada da maquiagem e contagem de refeições dependem de quem está no set. Os chefes de departamento leem o relatório para planejar o próprio trabalho, o que remete à decupagem do roteiro que deu início a toda a cadeia.
Como montar um à mão
Em uma filmagem pequena, o relatório pode ser montado numa planilha em uma hora. Trabalhe a partir de um cronograma fechado, ou pelo menos estável.
- Liste as diárias de filmagem em ordem e numere-as: Diária 1, Diária 2 e assim por diante. Acrescente a data, se já a tiver.
- Liste o elenco com o número dos personagens, na ordem da lista de elenco da decupagem.
- Para cada dia, liste as cenas que o cronograma lhe atribui e anote o elenco dessas cenas.
- Marque W em toda célula em que o ator aparece em uma cena daquele dia.
- Encontre o primeiro e o último dia de trabalho de cada ator. Marque o primeiro como SW, o último como WF e, se for um único dia de trabalho, SWF.
- Preencha as lacunas. Os dias entre o início e o fim em que o ator não trabalha viram H, a menos que ele seja liberado durante o intervalo; nesse caso, deixe em branco ou anote a dispensa e o retorno.
- Some os dias de trabalho, os dias de espera e o intervalo total de cada ator e coloque os totais à direita.
Exemplo
Este é um exemplo inventado para uma filmagem de cinco diárias.
| Elenco | D1 | D2 | D3 | D4 | D5 | Trabalho | Espera |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1. Marina (protagonista) | SW | W | W | W | WF | 5 | 0 |
| 2. Jonas | SW | W | H | W | WF | 4 | 1 |
| 3. Dra. Lúcia | SWF | 1 | 0 | ||||
| 4. Iara | SW | H | H | WF | 2 | 2 |
A linha a observar é a de Iara. Ela trabalha apenas dois dias, mas o seu intervalo é de quatro. Dois dias de espera são um custo, e um produtor perguntaria se o cronograma pode aproximar as cenas dela ou se ela pode ser dispensada entre a Diária 2 e a Diária 5 e chamada de novo. Jonas tem um dia de espera, que o cronograma talvez também consiga absorver. A Dra. Lúcia, num papel de um dia só, é simples e barata.
Armadilhas comuns
- Reordenar os dias sem atualizar o relatório. O erro mais frequente. Qualquer mudança no stripboard muda o DOOD, então refaça-o sempre que o cronograma se mexer e date cada versão.
- Esquecer que uma cena pode ter vários atores. Um nome faltando torna o relatório errado, e o ator pode ser avisado do dia errado.
- Tratar as esperas como gratuitas. Elas geralmente custam dinheiro. Confira o contrato.
- Misturar códigos. Usar SW na segunda e S na terça confunde todo mundo. Escolha uma convenção e imprima a legenda.
- Ignorar viagem e descanso. Um ator que viaja no dia anterior precisa de um dia de deslocamento, e alguns contratos exigem descanso entre uma diária noturna e uma chamada de manhã.
- Tratar o relatório como definitivo. Clima, disponibilidade e mudanças de locação alteram cronogramas. Um DOOD só é exato na data da sua versão.
As ferramentas fazem a parte mecânica: o STORYGRAPH monta um cronograma de filmagem e deriva dele a grade do elenco, mas a conferência continua sendo trabalho do produtor de linha. Para ver o fluxo mais amplo, veja como as etapas da pré-produção se encaixam.
Principais ideias
- O DOOD é uma grade de elenco por diária de filmagem, com códigos de status para início, trabalho, espera e fim.
- Ele deriva do cronograma de filmagem, por isso precisa ser atualizado toda vez que o cronograma muda.
- Os códigos mudam de uma produção para outra; leia sempre a legenda.
- As esperas e o intervalo, e não apenas os dias de trabalho, definem o custo dos atores.
- Monte à mão em sete passos: dias, elenco, cenas por dia, marcar o trabalho, marcar início e fim, preencher as esperas, somar.


